também têm pecados…) na escola, ele era conhecido pelo “Cabeça de alho chocho”. Isto era muito desagradável! Não é que os seus colegas fossem grandes cabeças, mas havia um que, por ser tão inteligente, tinha a alcunha de “Cabeça de melão”. Estas falhas de memória traduziam-se geralmente em pequenos esquecimentos, não levava folhas para escrever e tinha que pedir sempre a uma colega, a menina couve, que lhe emprestasse algumas, mas como ela já estava a ficar desfolhada, deixou-se disso. Falando de desfolhada, a dita menina não podia com a Simone de Oliveira, porque ela, que era frequentemente desfolhada, não percebia o que tinha isso a ver com quem faz um filho, fá-lo por gosto…; achava isto uma pouca vergonha!Havia, na sua classe, um menino de ideias muito estreitas, o “Cabeça de pepino”, que era muito esquisito, andava sempre todo torcido, isto tudo porque o professor (um nabo!) lhe dissera que de pequenino é que se devia fazer isso.
Outra coisa que incomodava o nosso herói era ele chegar, logo de manhãzinha, à sala de aula e começar tudo a gritar “Grande pivete, vai-te embora, ó mal-cheiroso!”. Era de desesperar, que culpa tinha ele de ter aquele seu característico odor?
A única pessoa que gostava verdadeiramente dele era a professora de Hortofloricultura. Era já entradota, tinha tido um processo em tribunal, por exibicionismo com menores, porque tinha o vício de se descascar em frente de toda a gente. Lá se safou do processo visto que os jurados, por sorte, eram quase todos voyeurs, e ela, ficando picada, com o seu dom especial, pô-los a chorar, num abrir e fechar de olhos.
Costumava combinar, com o meninalhinho, aulas suplementares. Era um inferno, ela nunca chegava a horas (era uma cebola, claro!). O miúdo não achava grande graça, pois a professora passava a vida a dar-lhe trincadelas, isto só porque o médico lhe dissera que o alho fazia bem ao reumático.
Esta vida não interessava a ninguém, aguentou anos seguidos, mas, apesar de todas as contrariedades, como era cabeçudo, lá tirou o seu curso: dentista. O seu consultório estava cheio de dentes de alho, era um profissional de sucesso.
Ao atingir o pico da carreira, resolveu escrever um livro com a história da sua vida e a chave do seu sucesso: carradas de desodorizante e várias caixas de Sargenor !
E assim acabou a história do menino “Cabeça de alho chocho” que se transformou num adulto ESPERTO QUE NEM UM ALHO!
M.A. 1997
1 comentário:
O que vale é ser um alimento bem contenplado de bem fazer senão com o cheiro insopurtável ninguem o toleráva ou seria esperto como um alho ou cabeça de alho chôcho Lena
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