sábado, 12 de abril de 2008

Tema: No tempo em que os animais falavam.














A porca que falava  


A porca estava muito triste e sozinha.
De repente, apareceu uma criancinha e perguntou:
- Como te chamas?
A porca respondeu:
- Chamo-me Maria Cornélia.
A criancinha perguntou:
-Porque é que estás no meio da porcaria?
A porca respondeu:
-Porque sou porca!


Começaram a brincar e a criancinha disse que queria viver com ela.
Conversaram muito e ficaram a viver no meio da porcaria, felizes.

Fabrícia Alves - 2007/08


Moral da história (digo eu!): O TRIUNFO DOS PORCOS!

Deitados, uns rendem, outros não!

Era uma vez várias vezes (3)


Há muitos anos atrás, havia um anão cujo tamanho era inversamente proporcional à extensão do seu sonho.
O sonho era tão grande que lhe dava água pela barba, mesmo quando o tempo estava seco. Teimava que a sua curta existência não havia de acabar sem realizar o seu desmedido desejo.
Um dia de inverno (portanto, curto!), pôs os seus pequenos pés ao longo caminho e foi procuerrar a floresta en-cantada. Cantou, cantou, mas nada aconteceu…águardou paciendemente, mas a água não caiu…finalmente, e já de cabeça perdida, atirou-se para o chão, dando murros com as suas diminutas mãos. Qual é o seu espanto, que sentiu, na sua frente ( já que não podia ver, porque tinha perdido a cabeça) algo que cheirava fortemente a rosas. Será chuva, será gente?, pensava ele. Foi então que a misteriosa criatura se revelou, foi a ver : era uma fotografia!
Já perceberam que, entretanto, o anão encontrara a cabeça (que não tinha sido descoberta, porque não usava chapéu), pois repararam que ele vira a fotografia. Depois de a virar, viu, com os seus minúsculos olhos, que tinha uma morada escrita: Rua de Todos-os-Sonhos, 7, País dos Desejos. Não perdeu tempo (bem bastava ter perdido a cabeça!). Correu a apanhar um autocarro. Não conseguiu apanhá-lo, porque era muito grande. Resolveu, então, tomar um taxi. Custou-lhe bastante, pois só ao fim de seis copos de água é que ele foi para baixo. Tentou depois o metro, mas a distância era de vários quilómetros e para tentar já bastava o diabo!
Abriu, então, as asas do desejo e fez-se ao céu…
Chegado, enfim, ao seu des(a)tino, entrou na casa e, felicidade das felicidades!, ali estava o que ele sempre desejara ter:
As sete Brancas-de-Neve.

M.A. 1997

LOUCURA...




Mário de Sá-Carneiro

Tomem lá, ó........... CABELUDOS!



M.A. 2007

Verdades cantadas...


Each man kills the thing he lovesOscar Wilde
Get out of my dreams, get into my car.
Billy Ocean
Il faut, quand on aime, partir au plus beau, je crois, et cacher sa peine.Barbara

Dei-te quase tudo e quase tudo foi demais.
Paulo Gonzo

She’s a maneater. (you wish you never ever met her at all!!)
Nelly Furtado
Love me or leave me and let me be lonelyWalter Donaldson, Gus Kahn
M.A. 2008

terça-feira, 8 de abril de 2008

O vazio cheio de nada


Naquele dia, entrou-me pela casa fora como quem sai de onde não quer.
Estava que não se tinha, sentia-se até mais não. O que encontrou revelou-se uma estranha aparição: o sempre pleno vazio! Cheia de tudo, habituada a nada, desesperou do que a esperava. Viu o silêncio de ouvidos cerrados, cheirou paladares de bocas trancadas, ouviu festas de mãos amarradas. Num grito surdo e amordaçado murmurou: não sei, não sou, não vi, NÃO VOU!
M.A. 1999

Quando os lápis falam...



Eu, na terceira pessoa.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Era uma vez várias vezes (2)

Era uma vez um gatinho que passeava na vida com a plena inconsciência que ainda lhe faltavam seis. Este gatinho ma(e mo-)lhado andava por entre as lágrimas como quem apanha chuva.
Um dia, cansado de fazerem dele gato-sapato, resolveu mudar de vida, ficou, portanto, na segunda. Ronmiando, aceitou seguir um “anda cá bichaninho” e experitentar viver de papo para o ar (o que era muito difícil, porque
tinha
sempre tendência para rebolar para um dos lados).
Ao fim de duas espinhas de carapau, percebeu que lhe tinham vendido gato por lebre e que também aquela vida não era para ele, pois, quando era pequeno, tinha desejado ser coisas inúteis, como polícia ou professor, mas nunca lhe tinha passado pela cabeça ter a profissão de caixote do lixo ambulante. Rombufando, começou a fazer mau focinho aos donos, calçou as botas, e partiu para outra vida (a terceira).
Nesta, não teve melhor sorte, conheceu uma humana que até gostava dele, só que ela começou a ter macaquinhos no sótão, e ele, achando
que já era muita gente, partiu
para outra (vida…claro!).
Na quarta, e já a 120, perdeu-se de amores por uma gata, mas…era vadia! Como Deus (aquele grande Gato Branco que estava lá em cima) não lhe dera, à nascença, nenhuns apêndices entre as orelhas e estava farto de tanto felino a deitar o olho à pequena, partiu o focinho a meia dúzia, meteu a quinta, e partiu em grande velocidade.
Depois desta experiência com a gata de vida fácil, deixou-se de
paixões e
encontrou na quinta, finalmente, a tão desejada Felicidade (uma gata giríssima!) .
Afiou as garras, esticou os bigodes e correu pelos campos, todos lavrados. Os amigos eram uns porcos, e alguns, mesmo burros, elas, umas galinhas (quando não eram umas grandes vacas!), porém, ali estava-se bem, não havia as lágrimas, só era malhado…
Focinho seco: gato feliz!

M.A. 1997

domingo, 6 de abril de 2008