
Amachuquei-o. Reduzi-o ao mínimo. Algo sólido, concreto, paralelepipédico, volvido em algo obtuso, informe, desfigurado. Entanto, no seu interior já haviam desaparecido os laivos de prata e as transparências. Da plenitude à redução progressiva e desta à nulidade total (a nulidade é sempre total, desculpem-me a redundância!). Por que o fiz, não sei! Não foi raiva contida, nem vingança crescida, nem sequer simples distracção... Foi a constatação da inutilidade: passou o prazer, desgastou-se a validade – injusto, mas real! Suga-se o interior, gota a gota (é como quem diz...!) e o que sobra - é nada, ou como no fado: é pó, cinza e nada... (quase verdade...!). E tudo o vento levou (antes fosse!). Do porte orgulhoso, se fez o esvaziamento total (o esvaziamento é sempre total, desculpem-me a redundância!). Pulmão extinto, pulmão sobretinto. E atrás dele outros virão... Um branco e azul que se transformou num azulado embranquecido.
E assim foi, e assim será... Desta ou de outras cores!
De um amachucado se pode fazer uma história, ou outra coisa que tal, nem que seja preciso fazer trinta por uma unha! - neste caso, o mote foi: um Português Suave... Azul.
M.A. 2000