sábado, 26 de abril de 2008

Um casal QUASE perfeito.


Sonhei-te nas minhas vigílias, adormeci nos teus sonhos, partilhei a tua alcova...
Construí, um a um, os pedaços do teu corpo. Devorei-o de rubros beijos, mordi-o de desesperos. Vivi nele. Naveguei nas tuas águas, descobrindo teus segredos. Os braços do nosso rio serão volvidos num só. Serás única amante, esposa, mãe dos meus filhos. A liquidez dos teus olhos é a água em que me banho, o perfume que exalas o sustento do meu peito... Somos o casal perfeito, o par mais invejado. Aos poucos, e já cansados do caminho percorrido, havemos de nos sentar, dar as mãos e, embranquecidos de tempo, olhar o céu e imaginar o que nos espera. Tudo parece tão perfeito e a harmonia tão completa que só me resta pensar, no meio deste esplendor: ah, se tu fosses, querida, o meu amor!


M.A. 1999

Body talks, but I have no words!



Não sei para o que me deu: fazer ioga depois do banho!

M.A. 2008

A tropa faz de nós uns homens!

M.A. 2008

Era uma vez várias vezes (5)

Era uma vez um peixe-agulha, ou melhor, uma peixa; o seu trabalho, como era de esperar, era a costura, passava todo o dia às voltas com a agulha e o dedal, minto, com o dedal não, porque não tinha onde o meter (como toda a gente sabe, os peixes têm barbatanas e não dedos). Não tinha mãos a medir, porque lhe davam muito trabalho e porque, como é óbvio, não tinha mãos, nem para medir, nem para o que quer que fosse.
O seu trabalho era, geralmente, fazer saias travadas para as sereias, bainhas para os peixes
-espada, sacos impermeáveis para a tinta dos chocos, teias
(de seda importada de uns bichos que havia na terra) para os peixes-aranha, etc.
É claro que esta profissão lhe trazia vários problemas: tinha constantemente as agulhas enferrujadas (visto viver debaixo de água), nunca conseguia entregar a roupa seca e tinha imensa dificuldade em prová-la em alguns clientes. O polvo não parava de esbracejar; o golfinho, de vez em quando, tinha de vir à superfície, se não desfalecia-lhe nas barbatanas; a baleia gastava imenso tecido e ela gastava muito tempo para pôr alfinetes naquele corpo todo; mas, sem dúvida, a cliente mais difícil era a enguia que lhe escorregava entre os dedos como se de um sabonete se tratasse. Com tanta água à volta, e ela achava que a vida era uma seca.
Houve um dia que, estando ela mergulhada no seu trabalho, ouviu um galope e depois um relincho à sua porta, só podia ser o cavalo-marinho! Este trazia-lhe o correio, havia uma carta sobre um concurso para jovens costureiras, como ela tinha cinquenta anos ainda estava abrangida! Quem apresentasse o melhor modelo de vestido, passaria a viver no oceanário da EXPO. Como só se estava em Abril de 98, ainda havia muito tempo…
Trabalhou dias inteiros, só quando apareciam as estrelas (do mar, como é evidente!) é que ela ia descansar. Conseguiu fazer um vestido lindíssimo, cheio de escamas de dourada, com belas barbatanas de salmão e um chapéu elegantíssimo, feito de uma alforreca que tinha fama de não mexer uma palha (portanto ia estar quietinha!).
O que é certo é que ela ganhou o primeiro prémio e foi habitar o oceanário em Novembro, ainda antes de abrir a EXPO 98.
Tornou-se tão famosa que foi convidada pelo Zé Carlos a trabalhar na sua equipa e hoje é ela que veste a Alexandra sempre que esta aparece na televisão.
Em Portugal, nunca ninguém estranhou que um peixe fosse tão considerado, porque havia um grande jogador de futebol que também era Peixe e, até mesmo, já tinha havido um Presidente da República que toda a gente dizia que era fish!


M.A. 1998

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Fumar es un placer genial, sensual...


Fffffffff, fumoooooooooo ...
Fumo de cigarro,
Fumo o cigarro!
Defumo...
Do fumo, o catarro,
Mas fumo um cigarro!
Fumo que me farto.
E, farto - fumo!
O fumo faz fome,
De quê?!
De fumo, claro!
A família usou um fumo,
Porque ele abusou do fumo...
Fez-se, portanto,
Defunto do fumo!
O fogo e o fumo,
Não o há sem o outro:
Finjo o primeiro,
Faço o segundo.
E fumo, e fumo...
O fumo acalma,
Afaga a alma,
O fumo não trata,
O fumo mata,
Mas nada faço,
e... fumo!
Ffffffffff,fumoooooooooo.

...o título é de uma canção da Sarita Montiel,
que fumava, mas ainda está entre nós...

(...mas, hoje, tenho o prazer
de já não ter esse...prazer!)

M.A. 1999

terça-feira, 22 de abril de 2008

Está tudo bem (?), graças a EU!


Entanto, de cima Eu olhava e não via o que fizera à minha imagem. A Minha imagem, Essa, qual seria? Decididamente tenho que admitir que também Me enganei. Lancei-o no paraíso, arranquei-lhe uma costela, mandei-o comer o fruto proibido (a Eva!?) e com serpentes à mistura, e para castigo, atirei-o para a terra, e dei-lhe o livre arbítrio (ou seja, salve-se, quem puder!) É certo que o universo tinha dado uma trabalheira e o homem já fazia parte dos Meus planos... Mas tudo correu mal, perdi o domínio do que criei. Guerras, terramotos, cheias, glaciações, isto é alguma coisa que se ofereça? Anda um pai a criar um filho para este se tornar em pó, cinza e nada. Ao sétimo dia descansei, mas nunca fiquei descansado... Fui tomado de um cansaço, tudo foi uma canseira. Agora, com o caldo entornado, só posso dizer valha-me...Eu!

M.A. 1999

segunda-feira, 21 de abril de 2008

domingo, 20 de abril de 2008

'Tás t'a rir?


Sempre admirei Leonardo da Vinci.
Sempre achei que é preciso ser-se muito talentoso para exprimir sentimentos que ninguém adivinha...
é o caso do sorriso, pelo menos, enigmático desta rapariga...
Ela é a razão por que mais o admiro, ambos temos uma coisa em comum: a MONA LISA!
M.A. 2008

"Deixai-me partir a cabeça de encontro às vossas esquinas."



Este postal foi-me oferecido por duas amigas, há 9 anos atrás (1999),
quando eu citava, recitava, escrevia, reescrevia os seguintes versos:

Eu podia morrer triturado por um motor
com o sentimento de deliciosa entrega de uma mulher possuída.
Atirem-me para dentro das fornalhas!
Metam-me debaixo dos comboios!
Espanquem-me a bordo dos navios!
Masoquismo através de maquinismos!
Sadismo de não sei quê moderno e eu e barulho.


Álvaro de Campos, in Ode Triunfal

Porque será que mo deram?
Continuo sem perceber!

M.A. 2008

Há mulheres para tudo!!!


Dito por João Villaret, de autor popular

ÁFRICA MINHA





Correio Africano (Semana das Línguas, E.S.G.V.)
M.A. 2008

Caderno de desenho do 1º ciclo



Adelina Amaral - Realizado algures entre 1925 e 1929 (entre a 1ª e a 4ª classe, não sei bem quando...)

Espero que já tenham percebido de onde me vem um sentido estético TÃO apurado! (é claro que nunca cheguei aos calcanhares da minha mãe! Na mesma idade, eu fazia uns bonecos, não muito mal feitos, mas muito imaturos... )
M.A.