sábado, 24 de maio de 2008

A homenzada tem destas coisas...

Nozes, às vezes, semos assim...

Romantismo masculino
M.A. 2008

Animais de estima são... nossos inimigos (?)




Rohan Candappa, O pequeno livro do stress

sexta-feira, 23 de maio de 2008

LE GUIGNON *


Sísifo, de Tiziano

Pour soulever un poids si lourd,
Sisyphe, il faudrait ton courage!
Bien qu'on ait du coeur à l'ouvrage,
L'Art est long et le Temps est court.

Loin des sépultures célèbres,
Vers un cimetière isolé,
Mon coeur, comme un tambour voilé,
Va battant des marches funèbres.

— Maint joyau dort enseveli
Dans les ténèbres et l'oubli,
Bien loin des pioches et des sondes;

Mainte fleur épanche à regret
Son parfum doux comme un secret
Dans les solitudes profondes.
* mau olhado
Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal
Poema estudado, por mim, na faculdade e nunca esquecido por achar que é uma metáfora da vida, onde temos de carregar "fardos" até uma meta e, quando atingimos o objectivo: começa tudo de novo!
Obrigado, sr. Beaudelaire ! Força, sr. Sísifo!

M.A. 2008

L' AIGLE NOIR


Keleck
Un beau jour, ou peut-être une nuit,
Près d’un lac je m’étais endormie,
Quand soudain, semblant crever le ciel,
Et venant de nulle part,
Surgit un aigle noir,

(...)
De son bec il a touché ma joue,
Dans ma main il a glissé son cou,
C’est alors que je l’ai reconnu,
Surgissant du passé,
Il m’était revenu,
Dis l’oiseau, ô dis, emmène-moi,
Retournons au pays d’autrefois,
Comme avant, dans mes rêves d’enfant,
Pour cueillir en tremblant,
Des étoiles, des étoiles,
Comme avant, dans mes rêves d’enfant,
Comme avant, sur un nuage blanc,
Comme avant, allumer le soleil,
Etre faiseur de pluie,
Et faire des merveilles,
L’aigle noir dans un bruissement d’ailes,
Prit son vol pour regagner le ciel,
(...)
Musique et Paroles: BARBARA

1983 - 1 cão, 1 cavalo e 2 gatinhos.



Livro: O Cão e o Cavalo de Voltaire
Canção: Attendez que ma joie revienne de Barbara
Local: Alfaiataria Londrina
M.A. 2008

Felinomem



Coçou o focinho com a pata e acendeu um cigarro. O drama da existência residia na dificuldade de identificação. O problema era a busca constante de uma identidade.
O cigarro ajudava-o a pensar. Ronronava, pensando; pensava, ronronando. Espreguiçou o seu corpo felino, lambendo a sua pelagem listada e macia. Pôs os óculos e pegou no livro A Condição Humana. Leu algumas linhas e, apercebeu-se que uma mosca zumbia à sua volta. Deu-lhe uma patada e, levando a pata à boca, engoliu-a de uma vez.
Sem perceber o que lia, resolveu ler em voz alta. Miou páginas seguidas, compreendendo que ser humano era condição penosa. Deu um salto do sofá para a mesa, tombou o copo vazio do brandy que bebera de um só trago. O álcool clarificava-lhe as ideias, ajudava-o a perceber a sua realidade: era adulto, era gente, era homem! Poderia enfrentar a dúvida existencial sem ser preciso entrar em depressão. Animado por esta certeza, saltou da mesa, deu uma corrida pelo extenso corredor, escorregando nos tapetes, e abocanhou finalmente o rato que morava havia anos num armário da cozinha.


M.A.2000

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Mourir ou s'endormir...


(...)
Mourir ou s'endormir, ce n'est pas du tout la même chose.
Pourtant, c'est pareillement se coucher les paupières closes.
Une longue nuit, où je les avais tous deux confondus,
peu s'en fallut, au matin, que je ne me réveille plus.
(...)
Paroles e musique: Barbara ,1978

Era uma vez várias vezes (11)

Olá, eu sssou uma cobra e tenho problemas de dicsssssão. Atrapalho-me ssssempre em palavras que metem ssssss. Talvez sssseja por issso que me chamam a cobra Sssssibilina. Por cada palavra com sss, era tamanho o asssobio que na floresta já ssssabiam quando eu andava nas prósssssimidades.
Ssssssabia que era gozada pelos outros animais, mas não tinha qualquer espésssssie de complecssssos. Resolvi, então, comessssar um trabalho de investigassssão, através do qual pudessssse provar que não era caso único neste mundo.
De gravador em punho (?), passssei a entrevistar vários elementos da animalesca ssssosssiedade. Comessssei por ir ter com uma galinha.
- Bom dia, Dona Galinha, importa-sssse de me responder a algumas perguntas?
- Cocococomo me havia de importar? Cococom todo o prazer! – respondeu a galinha.
Em sssseguida, entrevistei o leão. À mesma pergunta, este respondeu:
- Rrrrrrrrresponder a perrrrrrrguntas? Clarrrrrrro que sim!
Quando foi a vez do gato, a resposta foi esta:
- Ffffffffalar para esse microffffffffone? Ffffffffffffaço isso com todo o gosto!
Ao fim de realizar um sssssem número de entrevistas, tive de concluir que em matéria de dicssssão, não estava o mundo animal muito bem sssservido. Afinal, eu até era capaz de sssser dos melhorzinhos. Convenssssi-me disssso e… tornei-me uma convenssssida.
Vim para a ssssidade, tirei um curssso de jornalismo. Concorri para a RTP. Fui assssseite. Como lá elas eram todas más como as cobras, adaptei-me com fassssilidade.
A minha estreia foi no Telejornal, ao lado de uma cara bem conhesssida:
- Boa noite, ssssenhores telespectadores, hoje o dia foi cheio de acontessssimentos.
- Boa noite, cados senhodes, passamos agoda a apdesentade o resumo dos pdincipais acontecimentos do dia.
É claro que já persssseberam quem me calhou na rifa: a Judite de Sousa!


M,A. 1998

terça-feira, 20 de maio de 2008

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Servicinhos leves.


O estado em que o gajo ficou! Também, ninguém o mandou meter-se em alhadas. Se tivesse feito o serviço como a gente lhe mandou, nada disto tinha acontecido! Armam-se em espertos, fazem aquilo que não devem, depois, aguentem-se à bronca...
O fulano queria ganhar dinheiro, não era?! Fazia o trabalho e punha-se a andar. Recolhia o material, levava-o onde combinámos, recebia o arame e basava. Agora, um destes, foi meter o nariz onde não era chamado, aqueles mânfios não são para brincadeiras: pôs o pé em ramo verde, lixou-se!
Eu estava farto de lhe dizer “ó meu, mete-te na tua, não ligues a essa merda, a tipa lixa-se e lixas
-te tu”, mas que não, que queria ajudar a pequena, que ela estava no fundo do poço, que era só uma mãozinha...
Estes negócios, o pessoal já sabe, um está afundado e leva o outro atrás. A miúda era gira,e boa como caraças, mas nem por uma gaja assim eu me metia numa enrascada destas.
Ouve lá, ó Esteves, tu viste a garina quando ela saíu daqui? Não?! Tu, também, nunca vês nada, és tu e o Stevie Wonder, nunca viram nada, mas sabem a música de cor! Pois, dizia eu que ela saiu daqui mais verde que um esfregão Scotch Brite, devem-na ter enchido de porrada. Não era para menos: bateu com a língua nos dentes, despejou tudo nos bófias, quilhou-se! E se a gente não tem cuidado, também levamos com a ripa. O melhor é hibernar durante uns tempos, até que passe o mau tempo no canal. Feitas as contas, ainda abifámos uma porrada de massa, bem podemos tirar umas férias. A gente faz pela vida, portanto, merecemos uns mesitos de papo para o ar...
Agora, não há dúvida, o caramelo ficou em estado de hambúrguer. Um balázio daqueles bastou para o pôr como manda o figurino.
Para já, vamos mas é dar de frosques que ainda tenho de ir jantar com a Cacilda, a patroa mata-me, se eu chego atrasado outra vez.
Quanto ao gajo, fica para aí, que fica muito bem. Mais semana menos semana, dão com ele... Ou com o que restar...

M.A. 2000

Moulin HUGE.

Neste moinho, com estas piquenas,
não se faz farinha...

M.A. 2008

domingo, 18 de maio de 2008

Como Narciso se perde...


Caravaggio

Narciso era filho da bela ninfa Litíope e de Cefiso.
(...)
Aos dezasseis anos, Narciso tinha o aspecto de uma criança e, simultaneamente, de um jovem adulto. A sua beleza delicada despertava paixões sem fim e a todas ele respondia com um frio desdém.
(...)
Deseja-se, ignorando-o, a si próprio.
(...)
"É por mim que ardo de amor, e este fogo, sou eu que o ateio ao mesmo tempo que o sinto."
(...)
Perde a cor da tez, perde o vigor e as forças, nada resta desse corpo que fora outrora amado...
(...)
o corpo de Narciso tinha desaparecido. No seu lugar, encontraram uma flor amarela tom de açafrão, com o centro rodeado de folhas brancas.

Ovídio, Metamorfoses



M.A. 2008

Portugal no Coração - 1977

Passando por uma coisa que existe cá em casa chamada (por enquanto!) televisão, APANHEI com uma canção do Festival da Canção de 1977 que, já na altura, tratava de assuntos de importância inegável que passo a citar e sublinhar:

1.o problema da paternidade incógnita (neste caso, a falta dos dois progenitores!);
2. a ausência de identidade física e psicológica na infância;
3. a não realização profissional, e a dificuldade de arranjar emprego alternativo;
4. o problema de um país em que a população maioritária é composta de transsexuais
(trangéneres) e a indefinição de objecto sexual do sujeito que se “dá” a alguém que nem é homem nem mulher;
5. o problema da alimentação e a falta de anseios sociais, demonstrados ao se dizer que se quer
simplesmente pão, e nem se aspira a uma fatiazita de queijo Limiano, nem uma manteiguita light? Pelo menos que o pão seja de mistura que sempre ajuda o trânsito intestinal...
6. o problema da emigração, visto que o sujeito tem “o coração a bater” , mas fora de Portugal,
visto que é o irmão que está.

PORTUGAL FOI A RAZÃO

PORQUE UM DIA MORREU MEU IRMÃO,
MAS TAMBÉM É CORAÇÃO
A BATER NESTA CANÇÃO.
NÃO SEI BEM DE QUEM EU NASCI,
NÃO DESCOBRI NEM PAI NEM MÃE. (1)
SÓ SEI QUE JÁ NASCI AQUIE FOI AQUI
QUE EU FUI ALGUÉM.
PORTUGAL FOI A RAZÃO
PORQUE UM DIA MORREU MEU IRMÃO,
MAS TAMBÉM É CORAÇÃO
A BATER NESTA CANÇÃO.DIGO TUDO QUANTO EU SOU,
SEREI CRIANÇA OU MALMEQUER (2)
TENHO APENAS O QUE EU DOU
ESTE LUGAR QUE NINGUÉM QUER. (3)
NESTE PAÍS ONDE EU ESTOU,
SEREI TUDO QUANTO EU FIZER
ESTE POVO A QUE ME DOU
NÃO É HOMEM NEM MULHER. (4)
PORTUGAL É QUERER DAR A MÃO,
SERMOS AMIGOS, TERMOS PÃO. (5)
PORTUGAL É TER A VONTADE
DE ACABAR COM A SAUDADE.
PORTUGAL JÁ TEM IDADE
PARA O POVO ENTENDER LIBERDADE.
PORTUGAL É UMA NAÇÃO
ONDE VIVE O MEU IRMÃO. (6)
PORTUGAL, AI, MEU AMOR,
CORAÇÃO DESTA MINHA CANÇÃO.
BATE, BATE CORAÇÃO
PARA TERMOS A VIDA MELHOR.
PORTUGAL, AI, MEU AMOR,
CORAÇÃO DESTA MINHA CANÇÃO,
BATE, BATE CORAÇÃO,
PARA TERMOS A VIDA MELHOR,
CORAÇÃO DESTA MINHA CANÇÃO,
BATE, BATE CORAÇÃO
PARA HAVER VIDA MELHOR!

Intérprete: Os Amigos
Música: Fernando Tordo

Letra: José Carlos Ary dos Santos
Pontuação do texto: Maurício A. (Eh!, Eh!)

M.A. 2008