sábado, 9 de agosto de 2008

Canção Desnaturada


John Clay Moreira Batista

Por que cresceste, curuminha
Assim depressa, e estabanada

Saíste maquilada dentro do meu vestido
Se fosse permitido eu revertia o tempo
Pra reviver a tempo de poder
Te ver as pernas bambas, curuminha
Batendo com a moleira
Te emporcalhando inteira
E eu te negar meu colo
Recuperar as noites, curuminha
Que atravessei em claro
Ignorar teu choro e cuidar só de mim
Deixar-te arder em febre, curuminha
Cinqüenta graus, tossir, bater o queixo
Vestir-te com desleixo
Tratar uma ama-seca
Quebrar tua boneca, curuminha
Raspar os teus cabelos
E ir te exibindo pelos botequins
Tornar azeite o leite do peito que mirraste
No chão que engatinhaste
Salpicar mil cacos de vidro
Pelo cordão perdido te recolher pra sempre
À escuridão do ventre, curuminha
De onde não deverias nunca ter saído.

Chico Buarque de Holanda

Habemus Nestum



Não seria uma frase muito mais
publicitário-apelativa?
E com muitas potencialidades e diversidades...



 Primeiro, a fumarada branca (racista!) que anuncia o "Habemos Papam" ou é sinal que os cardeais são todos uns fora-da-lei e que fumam que se desunham... ou que ligaram os motores dos carros todos ao mesmo tempo, tentando fazer um suicídio colectivo (razões não lhes faltam como os terríveis dilemas do que vestir: a casula cerise com filas de botões forrados e a mitra em tons de dourado? Ou, porque não, a batina branca nacarada, a fazer "pendant" com os pequenos botõezinhos dourados dos sapatos, igualmente em tons de pérola e com o chapelinho redondo sem abas? Bem, o que vale é que há sempre aquela túnica em tons de malva toda apanhada atrás e que favorece imenso o torneado das ancas e a forma arredondada do rabo).

A reformulação de "Habemos Papam" para "Habemos Nestum" traria a simples e, ao mesmo tempo, vantajosa possibilidade de alargar o leque de escolha, sendo, enfim, o Vaticano um estado aberto e pluralista como o Cristo Senhor Nosso manda...
 
Nestum com Figo - quem não daria o coiro e o cabelo para comer este tipo de Nestum que tantas alegrias tem dado ao futebol do nosso país (e dos outros todos!)?

Nestum com Mel - mesmo que esta variedade tenha uma "Arma mortífera", vale sempre a pena começar o pequeno almoço com Mel (Gibson) e acabá-lo com um "Brave Heart".


Para terminar esta proposta rentável para o vaticano:


Nestum com Cacau - Vantajoso para o clero, em geral, porque, com tanta exposição, os seus elementos não teriam tempo para se dedicar a pensamentos libidinosos... mesmo assim, se a tentação continuasse, bastava verem e ouvirem o senhor do cacau (Joe Berardo) e perderiam logo a vontade de todo e qualquer desejo menos puro. Assim seja!

Nota final: Não é de estranhar que nos dois primeiros casos (Nestum com Figo e Nestum com Mel) se formassem filas enormes, ou melhor: bichas. E era vê-las: bichas de mulheres e bichas de bichas... Sucesso garantido!

Quem quer saber de um velhinho cujas condições necessárias para ocupar a mais alta hierarquia da Igreja são o facto de não falar nenhuma língua de forma a que se perceba e ter Alzheimer em estado avançado?



M.A 2008

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Frase da semana


Fazer das orelhas marcadores...
M.A. 2008

Nós, os outros e as limitações...



Reconheça as suas limitações.
Depois, ignore-as.
Reconheça as limitações dos outros.
Depois, atire-lhas à cara.
Rohan Candappa, O pequeno livro do stress

TODOS OS NOMES (são santos!)



Há cada contradição
que dá cabo dos sentidos:
na família, há religião
aos montes nos apelidos!

Não bastava Cruz e Santos,
agora Pedro, Simão
e p’ra maior dos espantos
são da 5ª geração.

Uma Jesus, em cada lado,
representou Cristo bondoso.
Alguém encontrou amado
Santiago em Trancoso.

Os anjos p’ra anunciação
são Miguel e Gabriel.
Os José para adopção...
Cada um no seu papel!

Mantendo a oposição
e tendo um lado Guerreiro,
foi quase uma salvação
ter o outro Cavalheiro...

As Maria é contar,
os João fazem a festa,
mas, para mais espantar,
em vez de Greta, há uma
Fresta!


Há um nome bem porreiro
ligado ao matrimónio,
dele é santo padroeiro,
parte bilhas, o António!


P'ra completar o encanto,
veio do Porto pequenito
e, não sendo nenhum santo,
tem um nome bem Bonito.

Com tanto nome sagrado,
não sei se é bom indício
para mim ficar guardado
o santo nome: Maurício.
 
M.A. 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O medo do vazio


Sófocles, Antígona


O puto do chapadão*


Carlos Almeida
a este moto seu:
Venceu-me Amor, não o nego;
tem mais força qu'eu assaz;
que,como é cego e rapaz
dá-me porrada de cego!
Volta
Só porque é rapaz ruim,
dei-lhe um bofete, zombando;
diz-me: - Ó mau, estais-me dando
porque sois maior que mim?
Pois se vos eu descarrego...
Em dizendo isto, chaz!
Torna-m'outra. Tá! rapaz,
que dás porrada de cego!
Luís de Camões
*Título de M.A. 2008

Era uma vez várias vezes (19)

Desrealiza constante mente, frequente mente, compulsiva mente. Mente com quantos dentes não tem na boca (desistiu de uma prótese lindíssima!). Um hábito ou uma defesa… Para ela, a vida não é, foi… Os seus pés estão no ontem, caminhando sobre as pegadas que deixara anterior mente. Não gosta de presente, nem mesmo no dia do seu aniversário (diz ela!).
Mesmo quando é sincera mente.
Os seus dias são vividos recuados mente, nota-se isso nela a vários níveis:
no vestuário é antiga mente, nas ideias é tradicional mente. É claro que é o contrário disto tudo, porque é mentirosa, natural mente!
Amorosa mente sempre que tem namorado, ama-o violenta mente, suga-lhe a alma apaixonada mente, larga-o indiferente mente…
Não gosta de si própria mente por essa razão, não quer enfrentar a sua mente perversa e incansável mente.
O passado para ela é hoje, actualiza a infância, porque aí se sentia feliz mente! Tudo o que dela faz parte é duvidoso, é falso, é enganoso, pois ela ludibriosa mente.
Quando conta histórias, todos a ouvem embevecidamente (desta vez, sem espaço, visto o sujeito não ser ela!), conta-as, sem escrúpulos, mentindo e muito consciente mente. E mente sem ninguém lhe levar a mal, já que encantadora mente conta histórias de encantar…
É essa a sua razão de viver: translada o passado inventado fiel e rigorosa mente! Por isso, rejeita o presente e também, muitas vezes, o indicativo (acções reais não são com ela!). Prefere pretéritos, sejam eles perfeitos, imperfeitos ou mais-que-perfeitos. Para ela, o presente e o futuro é que são invariável mente imperfeitos! O conjuntivo agrada-lhe, (o desejo não lhe é estranho!), o condicional é útil (mesmo condicional mente!)…
A nossa contadora de histórias tem a noção de quanto é importante o seu papel, sabe que o «sonho comanda a vida», sabe que a vida não é nenhum sonho (talvez mais um pesadelo!)…
Entusiasmada mente enquanto conta, conta enquanto mente. Prefere o verbo, rejeita o sufixo (por isso mente e não –mente!). E assim, mente sempre, em todas as ocasiões, em todas as situações, em todas as disposições: aflita mente, nervosa mente, desesperada mente, enamorada mente, feliz mente… incontrolavelmente!
Se alguém lhe pergunta quando é que ela vai deixar de mentir, ela responde que… breve mente…

M.A. 2000

domingo, 3 de agosto de 2008

At first, I was afraid, I was petrified *...



Ai, Gui(lherme), sobrevive!
[versão portuguesa de I Will(iam) survive de Gloria Gaynor]
*pedrado (Eh, eh!)

M.A. 2008

Ai, Nossa Senhora, o texto tem graça, mas alguém diz isto a sério? Valha-me Deus!


Nuno Freire

Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a Vós e em prova da minha devoção para convosco Vos consagro neste dia, os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser; e porque assim sou todo Vosso, ó incomparável Mãe, guardai-me e defendei-me como coisa e propriedade Vossa. Lembrai-Vos que vos pertenço, terna Mãe, Senhora nossa, guardai-me e defendei-me como coisa própria Vossa.
Amen.

Credo! Se eu fizesse mesmo isto, estava cego, surdo, mudo e já tinha um transplante cardíaco!!!!!

Volta Dr. Barnard, estás perdoado!

Dedicado à minha maninha que vai gostar tanto! (Eh! Eh!)...
Se for esta a minha última "postagem" no blogue, é porque levei um tiro....

M.A. 2008