Eu, pelo menos, que sou gerontófilo, amareite eternamente. Eis a prova:
AMAREITE
Amareite por cada ruga encarquilhada da tua face
Amareite por cada galopante ausência capilar
Amareite por cada fralda descartável para a incontinência
Amareite por cada ano inteirinho com impotência sexual
Amareite por cada artrose e artrite reumatóide
Amareite por cada catarata dos teus olhos
Amareite por cada comprimido debaixo da língua
Amareite por cada flatulência incontida
Amareite, enfim, por cada gengiva com défice de osso que não possa suster implantes dentários(que nem mesmo a Cláudia possa resolver!) e por cada prótese acrílica que daí advenha…
Dedicado a N.M.
Poema de António Mendes, retirado da “Antologia poética” do Centro de Dia da Junta de Freguesia da Picheleira
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