Uma mente desconfiada e mal intencionada como a minha julgou que a televisão portuguesa só transmitia piroseiras...Pois bem, ficando em casa, hoje (sábado, à noite) descobri que, pelo contrário, a TV é uma fonte de conhecimento imenso! Os programas são escolhidos criteriosamente. Vejamos o que concluí: os pronomes que tanto quebram a cabeça aos alunos portugueses, brasileiros (que os baralham ainda mais!) e africanos (das diversas proveniências) estão, finalmente, a ser ensinados sabiamente pelos responsáveis pela grelha televisiva ligada ao entretenimento. Dança comigo, Canta por mim, Perdoa-me, etc. ilustram a utilização dos pronomes pessoais, regidos, ou não, de preposição e com diferentes funções sintácticas... É de notar também que estes exemplos mostram o emprego do Imperativo, nestes casos com o valor, não de ordem ou conselho, mas sim de um humilde pedido!
Até agora só se verificam aspectos positivos, incluindo a imaginação que eles denotam. No entanto, se se propaga o ensino da gramática e da humildade(zinha), cultiva-se, ao mesmo tempo, o egocentrismo de satisfazer o próprio ego, solicitando a um tu que o faça. É claro que esse tu não é um qualquer, mas antes uma cara conhecida com a qual, num sabadozinho triste, cada um se pode imaginar a dançar, a cantar, a..., a...!
Sendo assim, eu, homem avançado no tempo e com espírito de formador, proponho mais imaginação, mais pedagogia e mais transmissão de conhecimentos, ou seja, um maior serviço público!
Querendo contribuir para o que acabo de defender, avento algumas ideias para programas de futuras grelhas televisivas, cá vão elas:
Cozinha para mim, Aspira sem mim, Dorme comigo, Acorda sob mim, Paga-me a mim,
Beija-a após mim, Empurra-o contra mim,
Despe-a perante mim, Deita-te sobre mim
e, já agora, porque não: Caga por mim?
M.A. 2008




