terça-feira, 20 de dezembro de 2011

sábado, 9 de julho de 2011

Mas, afinal, queres assustar quem??

Andas ao meu lado, mas não penses que me dobras...
Já cá não pertenço, por isso, não me impressionas.
Já não és um eufemismo, para mim!
Tu és o normal, o banal, o trivial...
Sou eu que gozo contigo e me rio na tua cara.
Boa sorte para ti, amiga finitude.
"Me aguarde, né?"

sábado, 26 de março de 2011

1000 insignificâncias

Ao fim duma convivência de muitos anos, duma convivência quotidiana, jamais toldada, se os velhos esposos se olharem bem, se se descerem bem, encontrar-se-ão – ai, fatalmente se encontrarão – dois estranhos separados por mil ninharias: mil pequenas mentiras, mil deslealdades insignificantes.

Mário de Sá-Carneiro

sexta-feira, 25 de março de 2011


“A Terra a quem a Trabalha!”
Já chove, fizeste bem em trazer o capote. Deixa chover, são baguinhos de pão…

Olga Gonçalves, Ora Esguardae

That's love!

Era cada vez mais difícil amar uma mulher. Tinham-se tornado tão senhoras de si mesmas, que não era possível aproximar-se senão pela conta bancária e pela violação. José Carlos receava o dia em que teria de decidir-se a conquistar Iluminada, ou por acaso, ou pela força.
Agustina Bessa-Luís, A Quinta Essência

domingo, 20 de março de 2011

Todo o mundo e Ninguém


















Amizade, és perigosa.
Tens muitas manias e tiques.
Quando estás mais saborosa,
vai-te embora, e não fiques!
Tenho da amizade
um conceito diferente:
fecho-a para um só,
abro-a p’ra toda a gente…

m A

sábado, 12 de março de 2011

Amareite e... nunca esquecereite

Eu, pelo menos, que sou gerontófilo, amareite eternamente. Eis a prova:

AMAREITE
Amareite por cada ruga encarquilhada da tua face
Amareite por cada galopante ausência capilar
Amareite por cada fralda descartável para a incontinência
Amareite por cada ano inteirinho com impotência sexual
Amareite por cada artrose e artrite reumatóide
Amareite por cada catarata dos teus olhos
Amareite por cada comprimido debaixo da língua
Amareite por cada flatulência incontida
Amareite, enfim, por cada gengiva com défice de osso que não possa suster implantes dentários(que nem mesmo a Cláudia possa resolver!) e por cada prótese acrílica que daí advenha…

Dedicado a N.M.
Poema de António Mendes, retirado da “Antologia poética” do Centro de Dia da Junta de Freguesia da Picheleira
m A

quarta-feira, 9 de março de 2011

Coisas do baú

Gabriel 1952


O amarelo da Carris

Gabriel Bonito, 1957/58

domingo, 6 de março de 2011

O Falsificador




A certa altura da vida um homem que sempre falsificara quadros começou a ver mal.
Estava viciado: começou a falsificar músicas.
Na morgue, depois de morto, confundiram-no com outro.

in O senhor Brecht, Gonçalo M. Tavares

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Antre mim mesmo e mim

Uns tempos com grand'engano
vivi eu mesmo comigo;
agora no mor perigo
se me descobre o mor dano.
Caro custa um desengano
e, pois m'este nem matou,
quam caro que me custou!

De mim me sou feito alheo;
antr'o cuidado e cuidado
está um mal derramado
que por mal grande me veo.
Nova dor, novo receo
foi este que me tomou:
assi me tem, assi estou.
mA
Bernardim, meu, tu, já no teu tempo, andavas num desatino!
Muito avançado!Também não curtias andar a bater mal!
Estou contigo chavalão...