
Cá estamos nós natal época em que somos todos obrigados a amar o próximo, tenha ele
(o próximo!) a idade e o sexo que tiver!
"Porreiro, pá!" - como diria o nosso primeiro
(salvo seja!).
M.A. 2008





O sol derramava sobre as montanhas uma calda ardente e alaranjada, as nuvens fugiam velozmente para o horizonte, os campos cobriam-se de colorida flora… Chegara o verão.


Pôs a sua melhor roupa, aquela que tinha ido comprar com a filha, a Vanessa, sempre era uma miúda nova, sempre estava dentro da moda! Sentia-se como nunca, moderna, activa, uma perfeita Marie Claire! As calças de lycra (justíssimas!) ficavam-lhe a matar, era pena ter uns pneuzitos (coisa pouca!), era pena ter, na perna esquerda, uma variz tão grossa que se notava através das calças, era pena as suas pernas já não serem como dantes e terem agora aspecto de serem dois cepos direitos e rijos, mas, enfim, até nem estava nada mal! Os sapatos, com uma aplicação metálica dourada no salto e decotados à frente, ficavam a matar com aquelas calças, era pena o joanete do pé direito que lhe deformava um pouco o sapato! De qualquer modo, a blusa, branca, rendada (tal e qual a que ela vira a uma rapariga que ia imenso à televisão cantar coisas que falavam de mulheres abandonadas e mães solteiras!) tinha comprimento suficiente para lhe tapar um pouco o rabo (que também já não era como dantes!). Sentia-se o Máximo! (sem ofensa para este!).
Enrolou-se melhor, tinha que mudar de posição, porque cãibralizava com a maior das facilidades. Esta coisa de estar metido em água tanto tempo era uma estopada! Se houvesse livro de reclamações (não havia espaço!), estava cheiinho de observações (im)pertinentes. Tudo começara de uma forma estranha (mais entranha do que estranha!): sentira-se minúsculo, descompleto, atravessara desenfreadamente não sabia o quê, não sabia por onde, sentira-se um perfeito girino, ainda tivera medo que o seu futuro fosse coaxar nalgum lago malcheiroso…Só descansou quando deu um valentíssimo encontrão na sua redonda metade desejada. Embora cansado, ficou mais descansado… Afinal, o destino era outro! Chegou a pensar que daria em peixe, desconfirmou-se, safa! Sair dali e ainda ir para a água outra vez!







Desrealiza constante mente, frequente mente, compulsiva mente. Mente com quantos dentes não tem na boca (desistiu de uma prótese lindíssima!). Um hábito ou uma defesa… Para ela, a vida não é, foi… Os seus pés estão no ontem, caminhando sobre as pegadas que deixara anterior mente. Não gosta de presente, nem mesmo no dia do seu aniversário (diz ela!). 