
Baixei os olhos, lá em baixo tudo era baixo, vil. Vi que não me agradava o que via. E, de cima, percebi que ninguém percebia que em cima havia alguém. Os de baixo (e tão em baixo!), não percebendo o que se passava em cima, acusavam, em tom muito baixo (o que, ainda por cima, dificultava ao de cima perceber o que queriam os de baixo) a ausência de um em cima. Deste modo, eu, de cima, vou-me com frequência abaixo porque os de baixo me tiram sempre de cima.
Eu me perdoe!
Eu me perdoe!
M.A. 2000
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