sábado, 29 de março de 2008

Era uma vez várias vezes (1)

Era duas vezes um menino que gostaqueria apanhar o sol, esse menino e a outra vez eram obviamente iguais como duas diferentes gotas de água. Uma gota, a que ficara cativa mais tempo, era morna; a outra era ferventemente escaldante, daí o ter-se desuterado mais cedo. O menino queria, por que sim, o sol. Desejava-o mornamente, sempre que era dia, e escaldante-ferventemente, quando era noite.
O dia não era todos os dias, mas apenas, às vezes, quando a água o permentia. A noite era com o que ele se vestia. Enfiava, sem querer, as mangas desestreladas, ajustava o colarinho de lua, desinteressadamente, e metia para dentro das calças escuras a fralda negra, para não tropeçar nela, na sombra do chapéu. O desejo, tão ardente, de possuir o sol vinha-lhe da desvontade de passear a vida às escuras. Certo dia, estando mornamente à espera que deslizasse lá do céu a estrela-mais-que-as-outras, e, estando acompanheirado da sua efeverscente partícula de água gémea, reparou que, sentado, esperando, o parto de luz nunca aconteceria…
Levantou-se, abraçou-se e, despindo a camisa que tantas forças lhe exigia, misturou-se à temperatura ambiente e…era uma vez um menino…


M.A.1997

sexta-feira, 28 de março de 2008

Às fãs da "Cristal Color"




O loiro do teu cabelo
faz-nos apenas pensar
que, se ele fosse castanho,
nos iria impressionar.
Tão loira e com pele morena,
qualquer coisa não está bem,
ou pões farandol na melena,
ou a culpa é da tua mãe!
As nórdicas estão na moda,
altas, loiras, platinadas,
por cá, andamos à roda
com latinas oxigenadas.

É tanto amarelo na pinha,
que a loira já nem nota
que lhe digam que é tontinha
e lhe façam uma anedota.


M.A. 1998

quinta-feira, 27 de março de 2008

Uma casa no ocaso

Il est venu sans savoir pourquoi,
Il est heureux sans avoir de quoi...


Carlos Sousa Santos

A sala não cabia nela de contente que ele estava. Encontrou-lhe um não sei quê de especial que procurara toda a vida em alguém e não encontrara... A paixão foi súbita e certa! Reviu todos os seus recantos, revisitou todas as brechas, alegrou-se de todas as suas decadências – ali estava ele rendido a uma beleza inumana, mas ao mesmo tempo tão corpórea e sensual. O estuque do tecto caía em lascas lânguidas nevadamente. As portas gritavam em gemidos de estertor. O soalho apresentava as mil personagens que dele escarneceram, pisando-o; que com ele rejubilaram, sentindo-o. As paredes, essas, cinzentas de humidade, transpiravam seduções de outras vidas, despudoradamente, desavergonhadamente, desrespeitosamente, como quem chama por mim...
Não estava lá, antes estivesse: conheceria qualquer coisa de vívido e vivido! Assim, na lonjura da ausência, agarro-me ao que tenho: as tábuas do meu caixão...


M.A. 1998

quarta-feira, 26 de março de 2008

TOP BOCAS

Tenho lá em casa um sofá igual às suas calças
(Carlos Catarino -10ºAE)
Um fogo que arde sem se ver é um micro-ondas
(João Almeida - 10ºAE)

Top humor inteligente 2007/2008


LITTLE BRITAIN

WILL AND GRACE

FRIENDS