sábado, 30 de agosto de 2008

Não se preocupe só com os grandes problemas



Os problemas sem importância também precisam que se preocupe com eles.
E se não tiver nenhum problema grande, preocupe-se com dois pequeninos.


(O stress gerado será idêntico.)

Rohan Candappa, O pequeno livro do stress

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

1 X 1 = 2 ?




Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte

Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema



Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia

O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
 
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom...
Amor é do bem...

Amor sem sexo,
É amizade
Sexo sem amor,
É vontade

Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes,
Amor depois
 
Sexo vem dos outros,
E vai embora
Amor vem de nós,
E demora

(...)

Amor é isso,

Sexo é aquilo
E coisa e tal...
E tal e coisa...

Rita Lee, Amor E Sexo

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Rir é para gente séria



A "seriedade" não costuma ser um sinal inequívoco da sabedoria, como julgam os pasmados:
a inteligência deve saber rir...

Fernando Savater, Ética para um jovem

Que pouca vergonha: anda TUDO ao mesmo!

Era uma vez várias vezes (20)

Enrolou-se melhor, tinha que mudar de posição, porque cãibralizava com a maior das facilidades. Esta coisa de estar metido em água tanto tempo era uma estopada! Se houvesse livro de reclamações (não havia espaço!), estava cheiinho de observações (im)pertinentes. Tudo começara de uma forma estranha (mais entranha do que estranha!): sentira-se minúsculo, descompleto, atravessara desenfreadamente não sabia o quê, não sabia por onde, sentira-se um perfeito girino, ainda tivera medo que o seu futuro fosse coaxar nalgum lago malcheiroso…Só descansou quando deu um valentíssimo encontrão na sua redonda metade desejada. Embora cansado, ficou mais descansado… Afinal, o destino era outro! Chegou a pensar que daria em peixe, desconfirmou-se, safa! Sair dali e ainda ir para a água outra vez!
Finalmente, a metamorfose ia-o esclarecendo, e agora estava ali um rapagão lindo de morrer! A sua indefinição sexual preocupara-o durante algum tempo, procurava, procurava, e não encontrava nada! Só recentemente se apercebera de um biquinho que nascera num sítio, apesar de tudo, bem pensado; se fosse na testa, ou por cima do umbigo, dava menos jeito!
Tinha percebido que já havia muita gente interessada nele. Tinha até estado alguém a tirar-lhe fotografias! Ficou um pouco encandeado, mas era bom sinal: havia quem se preocupasse com ele!
O que mais o desconfortabilizava era a posição, já tinha pensado: mais tarde ou mais cedo ia virar-se de cabeça para baixo, mesmo que tivesse de dar muitos pontapés…
Houve uma vez que sentiu um grande estrondo e achou que tinha caído com o saco de água (onde estava metido) e tudo. Não ganhou para o susto! Sentiu-se escorregar e pensou que ia sair do seu aconchegante esconderijo antes do que devia. Ele queixava-se, dava socos, mas, o que é certo é que não queria sair de onde estava. Tinha de se preparar primeiro, não podia sair de qualquer maneira!
O mimo subiu-lhe à cabeça (ou desceu, conforme a posição!), meteu o polegar na boca e toca de dormir, era hora do soninho…
E o que ele dormia, parecia que tinha tomado caixas de Lorenins, mas é o que se leva da vida! Quando escorregasse para o mundo, não faltaria porem-no a fazer anúncios com pais e esponjas terríveis, com cãezinhos, também inocentes, e rolos de papel higiénico sem fim. Portanto, agora é que era descansar, enquanto era tempo!
Com a alimentação não se preocupava, tudo lhe era fornecido, sem ele ter que mexer uma palha (e ainda bem, pois não faltaria quem ficasse a torcer-se de cócegas!), era entrega ao domicílio, estilo Pizza Hut, mas sem ser pizza, e sem ter de pagar a conta!
O tempo, sem ele dar por isso, passava a correr, como se estivesse na marginal. Ensombrava-se de saudades do que iria perder. Indesejava as mudanças naquela altura da sua vida, não é que tivesse mobília para transportar, mas adaptar-se a outro lar afigurava-se difícil.
Um dia sentiu que era O dia. Encheu-se de despavor, preparou-se para o grande salto. Uma torrente de água abandonou o seu saco-casa. A espaços cada vez menores, adivinhava a luz do dia. Alguém de fora gritava desesperadamente. Tinha de colaborar!
Atrasou a saída, quis olhar mais uma vez o seu tão querido abrigo. Estava triste, mas as lágrimas nodoavam-se na garganta. Os gritos do exterior aumentavam. Tinha de partir! Primeiro fez força. Depois, deixou-se ir…
Aterrou, sujíssimo (até ficou agoniado!), caindo em cheio numas mãos enormes. As mãos, cuidadosas, pegaram nele, agarraram-no pelos pés e, inesperadamente…deram-lhe uma valente palmada no rabo! Se calhar, tinha feito alguma asneira… Ficou zangado, o nó saiu, as lágrimas saltaram e berrou a plenos pulmões…
Passavam vinte segundos da meia-noite. Chamava-se Filipe. Foi o primeiro bebé do ano 2000…


M.A. 2000

domingo, 24 de agosto de 2008