segunda-feira, 12 de maio de 2008

Nascido para... CRIAR!


...e ao sétimo dia descansou. Deitou-se, enrolou-se para dentro, fetalizou-se. O cordão sufocava-o. Sufocado, deixou-se estar naquele quente, quente de água, quente de mãe.
Desviveu o que vivera, amortalhou o que matara. O durante era difícil, o antes era passado, o depois sem previsão. Não sabia continuar. Nesses momentos procurava o perdido e, reconstituindo-o, chegava aonde estava: no quente-doce, no quente-ventre, no quente-mãe.
Nunca sonhara o sempre, nada lhe dera tudo, de ninguém recebera entrega.
Insistia em continuar, resistia em desistir?
A campainha soou, tirou o cordão de ouro que o sufocava, desfetalizou-se, desenrolou-se para fora, levantou-se.
Era segunda-feira.
Cheio de alento, criou o Céu e aTerra...


M.A. 2000

1 comentário:

Anónimo disse...

Nunca nada de ninguem.Que maravilha!Gostei muito.Lena