
Vários objectos simbólicos se apresentam nesta imagem: o espelho que mostra o outro lado da “realidade” (que já por si é subjectiva!), o culto do tempo, representado pelo relógio ladeado por dois castiçais (embora as velas estejam queimadas ou sejam inexistentes!), como nos altares dos santos ou como no culto dos mortos... A chaminé, lugar da lareira – centro do lar (e de onde deriva a palavra...)
- é um signo que se apresenta “trespassado”, “atravessado” ou PERFURADO por um comboio, elemento “revolucionário” para uma certa época, mas anacrónico em relação aos dias de hoje. É de reparar que se trata de uma máquina a vapor que invade “o lar” e vai desorganizar o tempo... (ligações mais rápidas, possibilidade de evasão, de fuga, desvalorização do núcleo familiar, em favor da abertura para o exterior).
Assim, talvez se possa deduzir uma mensagem que pretende mostrar que pode haver sempre elementos que “surgem” num tempo, introduzindo-se nele e alterando-o para sempre como um intruso que, a partir do momento em que se insere numa “realidade”, deixa de o ser...
Sintetizando: uma tranquilidade, “normalidade” é abalada por um elemento estranho, o qual acaba por ser absorvido, aceite e “normalizado”...
Não poderá esta imagem levar a uma reflexão sobre o que, começando por causar estranheza, acaba por provocar a aceitação e, mesmo, a atracção?
Maurício A.
M. A. 2008

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