
Entanto, de cima Eu olhava e não via o que fizera à minha imagem. A Minha imagem, Essa, qual seria? Decididamente tenho que admitir que também Me enganei. Lancei-o no paraíso, arranquei-lhe uma costela, mandei-o comer o fruto proibido (a Eva!?) e com serpentes à mistura, e para castigo, atirei-o para a terra, e dei-lhe o livre arbítrio (ou seja, salve-se, quem puder!) É certo que o universo tinha dado uma trabalheira e o homem já fazia parte dos Meus planos... Mas tudo correu mal, perdi o domínio do que criei. Guerras, terramotos, cheias, glaciações, isto é alguma coisa que se ofereça? Anda um pai a criar um filho para este se tornar em pó, cinza e nada. Ao sétimo dia descansei, mas nunca fiquei descansado... Fui tomado de um cansaço, tudo foi uma canseira. Agora, com o caldo entornado, só posso dizer valha-me...Eu!
M.A. 1999
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