terça-feira, 8 de abril de 2008

O vazio cheio de nada


Naquele dia, entrou-me pela casa fora como quem sai de onde não quer.
Estava que não se tinha, sentia-se até mais não. O que encontrou revelou-se uma estranha aparição: o sempre pleno vazio! Cheia de tudo, habituada a nada, desesperou do que a esperava. Viu o silêncio de ouvidos cerrados, cheirou paladares de bocas trancadas, ouviu festas de mãos amarradas. Num grito surdo e amordaçado murmurou: não sei, não sou, não vi, NÃO VOU!
M.A. 1999

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