sexta-feira, 18 de abril de 2008

Era uma vez várias vezes (4)

Em tempos que já lá vão, havia um ouriço que trabalhava na sua loja, desde o subir até ao descer do sol. Subia o sol, subia o taipal, descia o sol, descia o taipal. E neste sobe-que-
-desce, levava a sua espinhosa vida.
Como já devem ter percebido, tratava-se de um ouriço-caixeiro. Ele, às vezes, não tinha muita paciência para os clientes, e então, quando o obrigavam a subir e a descer a escada uma infinidade de vezes, ficava todo ouriçado, respondia mal, e os fregueses picavam-se frequentemente. Muitas vezes, até lhe subia o sangue à cabeça, mas conforme subia, assim descia. O problema maior é que o sangue ficava muito atrapalhado, porque não percebia muito bem onde começava e terminava a cabeça da alfinetada criatura. O sangue desnorteava-se de tal maneira que ficava vermelho como um tomate, a seguir coalhava e faziam-se belos queijos, aliás famosos em toda a região!
O tomate não entra na história, foi apenas uma mera referência comparativa, e, além disso, não estou para ordinarices…
Voltando ao que interessa, o ouriço vivia um terrível conflito exterior: era uma rosa por dentro, mas o que se via eram os espinhos.
Tanto se fartou dessa vida de elevador que, finalmente, foi radical: comprou um champô-amaciador, rapou-se à máquina zero, ofereceu-se para trabalhar num green, a fazer de bola de golf, conheceu o Balsemão e hoje é dos melhores apresentadores de talk-shows na SIC SIC SIC SIC SIC SIC …

M.A. 1997

2 comentários:

LeniB disse...

Desculpe lá, entrar por aqui adentro sem pedir licensa...é que estas estradas da blogocoisa têm estes "senãos": não têm sinais proibidos...
Gostei do ar, gostei dos textos.
Vou voltar, se entretanto não levar com a porta na cara...

Anónimo disse...

Eu destes gosto, livrar é dos que são uma rosa por fora e por dentro são só espinhos daí é que apanhamos as maiores ferradelas.Lena